Mar 16, 2012 1
Características de um processo (Métricas e maturidade)
2. O que é um processo?
3. Características de um processo (Métricas e maturidade)
4. Estruturas empresariais: Funcional x Por processo
5. Estruturas empresariais: Funcional x Por projetos
Métrica dos processos
Em todas as melhores práticas do nosso conjunto de disciplinas de Gestão de T.I. – Itil, Cobit, Projetos Pmbok, BPM e Gestão da Segurança da Informação – existe a ênfase em controlar os processos. Para que tenhamos noção desse fato, o Pmbok, por exemplo, define todo um grupo de processos – o grupo “Monitoração e Controle” – para basicamente monitorar e controlar (dã!) outros processos do gerenciamento de projetos. Ou seja, são como se fossem “metaprocessos”, se você me permite usar tal termo. Processos que operam sobre outros processos. E o que é monitorar? É o mesmo que supervisionar, observar se os processos estão nos trilhos, é medir.
Então, é importante que os processos sejam monitoráveis, isto é, metrificáveis. No caso do Pmbok, muito superficialmente ele fala sobre as características da metrificação dos processos – embora enfatize a importância do controle propriamente dito. Ou seja, o foco é em “monitorar”, e não em quê métricas usar. Já o Cobit, em contrapartida, define indicadores precisos para a medição dos processos. Ele mede tanto a eficácia de um processo, ou seja, se o mesmo cumpre com o objetivo para o qual foi criado, quanto a eficiência, ou seja, o quão bem o processo cumpre aquilo para o que foi objetivado.
Faz-se necessário, neste ponto, salientar que cada metodologia ou melhor prática tem sua maneira de medir, monitorar e controlar seus processos. Por agora, considere que todo processo é metrificável.
Maturidade
Tanto o Cobit quanto o BPM possuem uma métrica, para cada processo, que mede a maturidade do mesmo. Maturidade? Como assim maturidade? Ora, vamos dizer que maturidade é o grau de especialização do processo. Por exemplo, se você comparar um estudante do curso de Redes de Computadores que está no seu primeiro ano de faculdade com o profissional de TI com 30 anos de experiência em empresas, muito facilmente perceberá que o nível de experiência profissional, ou de maturidade profissional, é maior para o profissional e menor para o estudante. O profissional é mais maduro profissionalmente falando, mais ágil em responder a questionamentos difíceis sobre determinado assunto (de redes, nesse caso), e assim por diante. A maturidade dele é maior, portanto. Da mesma forma, os processos possuem maturidade.
Na verdade, quando eu falo em maturidade de processos, estou olhando de fora do processo, e não de dentro, o que significa que até mesmo processos inexistentes – que, entretanto, sei que deveriam existir – passam a ser considerados quanto a seu grau de maturidade. O grau de maturidade de processos inexistentes é 0. Vamos supor que em sua empresa existam vários processos para tratar de incidentes de T.I. Existem processos que tratam de incidentes na área de software, outros, na área de banco de dados, outros, na área de redes. Mas não existe um processo para tratar incidentes na área de suporte a sistema operacional. Ou seja, se eu sou um consultor e estou avaliando a maturidade da empresa como um todo, sei que para conhecer a maturidade organizacional devo coletar todas as maturidades de processos individuais. Ao analisar os diversos processos, batendo os processos que existem na empresa com os processos anotados em meu caderno de consultor – o caderno de como a empresa deveria funcionar – eu vejo que o processo de suporte a sistemas operacionais não existe na empresa. Então, escreverei, no meu caderno, que o grau de maturidade do mesmo é 0. Maturidade 0 significa que o processo não existe. É tipo assim: “Aqui vende pão?” ; “Sim”. “Então me vê dois”. “Não temos”.
Na prática, e o BPM bate bem nesta tecla, a maturidade dos processos começa em 1 e vai até 5. O BPM é bem genérico nisso, deixando a avaliação bem subjetiva. Já o Cobit é mais objetivo, definido o que cada processo deve possuir para atingir uma determinada maturidade. Por exemplo, quando a empresa começa a se conscientizar de que há a necessidade de um processo para gerenciar incidentes de suporte de sistemas operacionais, e inicia os primeiros esforços para implantar este processo, temos o nível 1 de maturidade do processo. Quando o processo é repetível, ou seja, consegue-se repetir, contudo com a ajuda da intuição, temos o nível 2. Quando o processo é devidamente documentado, passando, também, a ser formalmente gerenciado na organização – não está mais na mente de uma pessoa específica, mas é de conhecimento do corpo funcional, e as pessoas o fazem da maneira como está documentado – então, temos o nível 3. Então, nível 3 é o chamado “nível gerenciado”. Nível 2 é o nível em que o processo é repetível. Nível 1 é o nível de conscientização. Lembre-se desses conceitos-chave quando estiver fazendo algum concurso por aí.
O nível 3 está bom, mas podemos melhorar. Sim, o processo está definido, documentado, é gerenciável, existe de maneira formal, se um funcionário for embora da empresa a mesma não para. Isso é bom. Mas não é ótimo, pois mesmo com essas características, os processos podem ser voltados mais para uma mentalidade reativa (em vez de proativa), podem ocorrer da maneira não-ótima, podem demorar, ter certos entraves, certos gargalos e assim por diante. Então, é possível otimizar o processo – olha a palavra-chave aí! Um processo atinge o nível 4 quando é otimizado. É um processo executado de forma ágil. Está muito bem entranhado na empresa. Além de ser documentado é de “fácil” execução, ou de execução rápida. É um processo ótimo.
O nível 5 é a perfeição. Indica pleno alinhamento do processo com os objetivos do negócio. A empresa cujos processos estão no nível 5 é um exemplo para outras empresas – ou melhor, os processos nível 5 de determinada organização são exemplos para outros processos de outras organizações. Sim, claro! Pois é muito difícil uma organização ter todos os seus processos em nível 5. Na vida real, uma organização tem diversos processos, cada qual com seu nível distinto de maturidade.
Então, é por aí. Vamos continuar com nossas séries de artigos introdutórios ao gerenciamento de T.I. Um bom fim de semana a todos, e em caso de erros no texto, comentem.

